Reiki Cético – Introdução

reiki

Energia Vital Universal

Muita coisa mudou desde 1922, ano em que o Reiki foi desenvolvido por Mikao Usui. Quando conheci o Reiki, em 1997, a comunidade ainda era relativamente pequena no Brasil e, em geral, cara. Com uma divisão didática em três ou quatro níveis, dependendo da vertente, ministrar cursos de formação em Reiki era uma atividade razoavelmente lucrativa. O último nível, o mestrado, sempre foi muito caro no ocidente: começou custando 10 mil Dólares, em 1938, com a americana filha de pais japoneses Hawayo Takata, responsável pela difusão do Reiki no mundo ocidental. O preço foi diminuindo e eu paguei 3 mil Reais pelo mestrado em 2003, me formando em Reiki Tradicional Japonês e Reiki Usui-Tibetano.

O começo do mestrado foi um período de pesquisas muito intensas pra mim, eu estava montando as minhas apostilas de iniciação, que seriam distribuídas aos iniciandos. As apostilas dos dois primeiros níveis foram fáceis, havia muita literatura disponível. Já o terceiro nível no Reiki Usui-Tibetano é um pouco mais aberto e tem uma característica especial: seu intuito é o de formar um “mestre de si mesmo”, um reikiano que tenha todas as ferramentas que a vertente disponibiliza, faltando-lhe apenas o conhecimento necessário para iniciar outras pessoas. Esta característica especial do terceiro nível me motivou a fazer uma grande pesquisa sobre todas as vertentes de Reiki existentes. Na época eram mais de 70 e certamente hoje este número cresceu. Muitas eram parecidas entre si, mas várias tinham cores únicas. Escolhi 60 delas para fazer uma resenha e apresentar aos iniciandos de nível 3, de forma que eles pudessem ter uma noção das enormes possibilidades e variações da técnica.

É aqui que a história do Reiki Cético realmente começa.

Conheci vertentes que afirmavam que seu conhecimento específico, que fora adicionado ao Reiki tradicional, havia sido “recebido” de anjos e entidades sobrenaturais protetoras. Outras afirmavam literalmente que seu conhecimento havia sido “dado pelas baleias”. Outras ainda misturavam com o Reiki antigas formas de cura mística, como cristaloterapia e cromoterapia. Me interessei por duas vertentes que se apresentavam como cursos de extensão, montados para os que já haviam se formado mestres em pelo menos uma outra vertente. Me formei mestre em Reiki Celta, uma linha que busca integrar o conhecimento sobre a natureza com as técnicas de Reiki, de maneira que o praticante usa cada elemento natural como um símbolo evocador de determinada postura emocional. Uma conexão especial com as árvores é formada, ao parear diversas espécies com símbolos específicos. Também me formei mestre em Imara Reiki, que preconiza uma prática sem o uso de símbolos desenhados – trabalha a evocação do seu “velho sábio” como fonte da energia certa na hora certa (substitua a palavra “energia” por “postura emocional” sempre que isso melhorar a sua compreensão do que estou tentando dizer).

Porém, uma vertente me chamou a atenção por outros motivos: era totalmente falsa. Seu mestre dizia que havia encontrado um diário secreto de Mikao Usui e que sua iniciação havia sido espontânea. A cada ano, esse mestre postergava a revelação do diário e, no final das contas, descobriu-se que tudo não passava de um engodo, ele nunca encontrara o tal diário. Todas as histórias sobre sua iniciação e sobre a fonte do seu conhecimento privilegiado eram invenções mesmo. No entanto, durante o tempo em que manteve o engodo, ele formou diversos reikianos e – pasmem – o Reiki deles era tão efetivo quanto o de qualquer reikiano formado por um mestre “de verdade”. Seus receptores relatavam curas e melhoras significativas. Além disso, os reikianos desta vertente tinham acesso durante uma aplicação aos mesmos sentimentos que todo reikiano tem. A saber, sensações de alteração de temperatura, formigamentos, espasmos musculares e um estado diferenciado de atenção. Não é curioso?

O que poderia justificar algo assim? Que os mestres eram desnecessários, bastando discípulos? Que o Reiki era, como Mikao Usui dizia, presente em todas as pessoas, um “direito de nascença”, bastando que um indivíduo conseguisse resgatar sua conexão com… algo perdido? A hipótese que mais me assustou nessa época foi a de que não era o Reiki que estava causando aqueles efeitos, mas sim algo que acompanhava o Reiki, que acontecia junto, por algum motivo. Se isso fosse verdade, o Reiki ainda teria a importância de ser uma ferramenta pra acessar estes estados emocionais que permitem que algum tipo de regeneração aconteça, tanto para o receptor quanto para o reikiano… Mas, de certa forma, algo muito grande seria perdido. A magia dos símbolos, que já havia sido questionada nos meus estudos com Imara Reiki, era uma parte do que se perdia. Eu me referia a eles como “símbolos sagrados”, mas a causa das curas poderia não estar neles. O Imara Reiki me ensinou a escutar meus instintos e a seguir as aplicações sem um roteiro e sem símbolos, mas a causa das curas poderia não estar em mim. Desde sempre acreditei na prece sincera, na força de vida do Universo, mas a causa das curas poderia não estar nisso também.

Conhecendo diversas vertentes pela pesquisa que fiz e tendo passado pelo caminho completo de 4 vertentes diferentes, comecei a me sentir mais apto a investigar o funcionamento da técnica. Era impressionante como os receptores realmente apresentavam mudanças visíveis durante e após as aplicações. Uma coisa era certa: eu não podia negar os efeitos do Reiki, eu os via quase infalivelmente. Quase.

Em uma ocasião, um colega de faculdade se machucou  jogando futebol. Eu estava assistindo o jogo na arquibancada e ofereci uma aplicação rápida de Reiki pra ajudá-lo. Ele não se mostrou receptivo, mas aceitou mesmo assim. E nada aconteceu. Nada. Foi assim que eu entendi a real importância da preparação de uma sessão de Reiki, com música relaxante, com ambiente e palavras agradáveis, às vezes com incenso. Em bom português, se o receptor não estiver disposto a ter uma experiência de cura mística, ela simplesmente não acontecerá. Assim, ficou mais forte a hipótese de que a causa das curas não era o Reiki em si – e não tive como ignorá-la por muito mais tempo.

 

O primeiro capítulo se aprofundará nas possíveis causas das curas místicas:
O que, afinal, acompanha a maioria das sessões de Reiki? Quais outros motivos poderiam desencadear um processo de regeneração no receptor? Como é possível que até mesmo Reiki à distância funcione? O que significa “funcionar” neste contexto?

O segundo capítulo e alguns posteriores apresentarão as técnicas do Reiki Cético:
Você quer tentar? Incluirei maneiras de aplicar Reiki sem ter passado por uma iniciação prévia com um mestre.

O último capítulo concluirá a empreitada com uma reflexão sobre tudo que foi dito anteriormente e apontará possíveis caminhos de investigação pessoal.

Espero, despretensiosamente, alcançar o último capítulo um dia. Sem prazos e sem promessas, tentarei caminhar até lá.
Até a próxima!

2 thoughts on “Reiki Cético – Introdução

  1. Ótimo texto Daniel 😀 Vou ler os próximos com certeza, e voltar ao Reiki. Feliz 2014 BTW

    • Valeu, Alex!
      Também fiquei um tempo longe do Reiki, acho que vem em ondas mesmo. Tem algo além de puro misticismo aí, precisamos descobrir o que é. 🙂
      Feliz ano novo pra você também!

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